Ontem, quarta-feira (05), finalmente recebi o resultado do teste DELE B2, realizado em novembro do ano passado. O APTO confirmou meu otimismo quanto ao desempenho nas provas e coroou um processo de aprendizado construído ao longo dos anos. Esse resultado é fruto de uma tríade essencial: a imersão no rock argentino, que despertou minha reconexão com o espanhol; o suporte das aulas presenciais em um curso de referência, que estruturaram meu conhecimento gramatical; e a plataforma Objetivo DELE, que direcionou minha preparação final para o exame. Neste post, compartilho como cada um desses elementos contribuiu para minha proficiência no idioma.
DELE B2: O que é e por que importa no meio acadêmico?
O Diploma de Espanhol como Língua Estrangeira (DELE) é uma certificação oficial concedida pelo Instituto Cervantes em nome do Ministério da Educação da Espanha. Reconhecido internacionalmente, ele comprova a proficiência em espanhol de falantes não nativos. O exame avalia habilidades de leitura, escrita, compreensão auditiva e expressão oral, garantindo que o candidato possa se comunicar com segurança no idioma.
No caso do nível B2, a certificação atesta uma capacidade intermediária-avançada de comunicação, permitindo que o candidato se expresse com fluência e argumente sobre temas diversos. No contexto acadêmico, essa proficiência abre portas para intercâmbios, programas de pesquisa e cursos em países hispanofalantes, sendo também um requisito comum para ingresso em universidades estrangeiras ou participação em projetos internacionais.
Em Belém, o exame é aplicado pelo Aslan – Centro de Idiomas, unidade oficial credenciada pelo Instituto Cervantes para a realização das provas de proficiência. Minha experiência com o exame ocorreu na unidade da Mauriti, onde fiz as provas nos dias 21 e 23 de novembro de 2024.
No dia 21 de novembro, realizei a prova de expressão e interação orais, que precisa ser agendada previamente com o examinador, pois é feita individualmente. Já no dia 23 de novembro, as demais provas – compreensão de leitura, compreensão auditiva e expressão escrita – foram aplicadas em sala, no formato de um exame tradicional, como ocorre em concursos públicos ou no ENEM, junto aos demais candidatos.
Como é a prova e como funciona a pontuação?
O exame DELE B2 é composto por quatro partes, cada uma avaliando uma habilidade específica da língua:
- Compreensão de leitura – O candidato deve ler e interpretar textos variados, respondendo a perguntas sobre conteúdo, inferências e estrutura textual.
- Compreensão auditiva – São apresentados áudios de conversas, entrevistas ou reportagens, seguidos de questões que testam a capacidade de entender ideias principais, detalhes específicos e intenções comunicativas.
- Expressão e interação escritas – Envolve a redação de textos como cartas formais, ensaios argumentativos ou resumos, avaliando clareza, coesão e adequação ao contexto.
- Expressão e interação orais – Inclui uma apresentação individual sobre um tema dado, seguida de uma conversa guiada e uma simulação de interação social, testando fluência, coerência e pronúncia.
A pontuação total do exame é 100 pontos, distribuídos igualmente entre duas grandes seções:
- Parte 1 (50 pontos) → Compreensão de leitura + Expressão e interação escritas
- Parte 2 (50 pontos) → Compreensão auditiva + Expressão e interação orais

Para ser aprovado, o candidato deve obter, no mínimo, 30 pontos em cada parte e um total de 60 pontos ou mais no exame geral. O resultado final é binário: APTO (aprovado) ou NO APTO (não aprovado), sem graduações intermediárias.
Essa estrutura torna o DELE B2 um exame completo e exigente, garantindo que os aprovados tenham um domínio funcional do espanhol em diferentes contextos.
Do rock argentino ao DELE B2: como a música moldou meu espanhol
Minha trajetória até a certificação DELE B2 não começou com gramáticas ou livros didáticos. Na verdade, foi um processo que se desenvolveu de maneira muito mais natural e envolvente, impulsionado pela música. E, mais especificamente, pelo rock argentino.
Meu contato com o espanhol já existia há algum tempo, mas se intensificou com duas viagens a Buenos Aires – a mais recente no final de 2023. Nessa ocasião, busquei vivenciar a cidade de maneira imersiva, seja caminhando, utilizando transporte público ou experimentando a gastronomia local. Mas foi na música que encontrei o maior vínculo com o idioma. Ao buscar playlists para acompanhar minha estadia, fui guiado pelo legado dos íconos del rock argentino, como Soda Stereo, cuja sonoridade sofisticada e inovadora definiu o rock latino-americano. Fito Páez trouxe um lirismo visceral e autobiográfico que me fez mergulhar nas narrativas da Argentina contemporânea. Logo, cheguei à genialidade de Luis Alberto Spinetta, cuja poesia abstrata e composições complexas exigiam um nível mais profundo de interpretação, e à obra de Charly García, um verdadeiro cronista do país, que soube traduzir décadas de história argentina em suas letras provocativas e vanguardistas. A partir daí, minha exploração se expandiu ainda mais, chegando à obra solo de Gustavo Cerati e às sonoridades contemporâneas de bandas como El Plan de la Mariposa.
Essa imersão musical não só me fez descobrir artistas incríveis, como também moldou minha relação com o espanhol de uma maneira que as aulas formais dificilmente conseguiriam. As letras de Cerati, repletas de metáforas e construções sofisticadas, exigiam um esforço interpretativo que me ajudou a ampliar o vocabulário e entender melhor as sutilezas da língua. Spinetta, com sua escrita enigmática e fragmentada, me apresentou um espanhol poético e subjetivo, enquanto Charly García me ensinou expressões coloquiais e críticas sociais afiadas. Com El Plan de la Mariposa, fui exposto a um lirismo experimental e a formas narrativas que dificilmente apareceriam em materiais didáticos. Sem perceber, cantar junto com essas músicas se tornou um exercício de pronúncia e compreensão auditiva que me preparou, de maneira indireta, para as exigências do exame.
O papel do curso e da preparação formal
Obviamente, a música sozinha não seria suficiente para enfrentar uma certificação como o DELE B2. Para estruturar melhor meu conhecimento da língua, cursei aulas presenciais no Castilla – Unidade Batista Campos, onde tive a sorte de ser aluno da professora Renata Penafort. Minha turma, que se reunia e fazia muito barulho às quartas-feiras, das 18h50 às 20h40, criou um vínculo forte ao longo dos meses – tanto que mantemos um grupo no WhatsApp chamado “Los de Miércoles”, onde trocamos dúvidas, materiais de estudo e, claro, falamos muita bobagem.
Além das aulas, outro elemento essencial na minha preparação foi o consumo de conteúdo especializado sobre o DELE, principalmente através do Blog Objetivo DELE. Essa plataforma foi criada por Vicente Ribés, professor, examinador e preparador oficial do DELE, que há anos se dedica a ensinar espanhol para estrangeiros e a preparar candidatos para os exames de proficiência. Seu trabalho no blog e no canal do Objetivo DELE no YouTube tem sido um grande diferencial para quem busca não apenas aprender espanhol, mas entender as exigências específicas da prova.
Embora ele tenha um curso pago com aulas online e material didático, os vídeos gratuitos de Vicente Ribés foram fundamentais. Com explicações diretas e bem estruturadas, ele aborda desde estratégias para a prova escrita e oral até simulações de entrevistas e erros comuns cometidos por candidatos. Incorporar esse material à minha rotina de estudos tornou minha preparação mais dinâmica e eficiente, permitindo que eu compreendesse melhor a estrutura do exame e me sentisse mais confiante no dia da prova.
Quando chegou o momento do DELE B2, percebi que esse conjunto de experiências – as músicas que treinaram meu ouvido, as aulas que consolidaram minha base gramatical e os vídeos do Objetivo DELE que me ajudaram a entender a lógica do exame – fizeram toda a diferença. A fluidez na leitura e a naturalidade na escuta foram resultados diretos desse processo, e até a parte oral se tornou mais confortável, pois meu ouvido já estava treinado para as variações do idioma.
Um aprendizado que vai além da certificação
Receber o resultado APTO no DELE B2 é a validação de todo esse percurso, mas não o ponto final. Se tem algo que essa experiência me ensinou é que o aprendizado de um idioma é um processo contínuo, e cada nova palavra, cada nova música e cada nova conversa ampliam essa jornada.
Agora, com a certificação em mãos, a ideia é seguir explorando, aprendendo e, quem sabe, me aprofundando ainda mais no espanhol – seja por meio da música, da academia ou das próximas viagens. Afinal, se uma playlist pode abrir tantas portas, imagine o que pode vir pela frente. 🚀

Mais do que uma conquista pessoal, a obtenção do DELE B2 tem um peso significativo no meu percurso acadêmico. Atualmente, estou no processo de doutorado sanduíche na Universitat Autònoma de Barcelona (UAB), e a proficiência no idioma é um fator essencial para a imersão nesse novo ambiente de pesquisa. Ter o espanhol consolidado não apenas facilita o acesso a bibliografias e discussões acadêmicas, mas também me permite interagir com professores, pesquisadores e colegas de maneira mais fluida e integrada.
O domínio do idioma será fundamental para minha participação em seminários, na escrita de artigos e na troca de conhecimento dentro da universidade. Mais do que um requisito formal, essa certificação representa uma ferramenta que me permitirá aproveitar ao máximo a experiência na UAB, ampliando as possibilidades de colaboração e aprofundamento nos meus estudos.
Se o espanhol chegou até aqui por meio da música, agora ele ganha novos contornos no universo acadêmico. E essa conexão entre cultura, pesquisa e aprendizado segue sendo um dos aspectos mais fascinantes dessa jornada.