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Doutorado sanduíche e proficiência linguística: o que o PDSE exige?

A escolha do destino para o doutorado sanduíche envolve diversos fatores, mas um dos mais determinantes é o idioma. A capacidade de se comunicar em uma língua estrangeira pode impactar diretamente a pesquisa, a integração acadêmica e até a adaptação ao cotidiano em um novo país. Neste post, quero compartilhar como a questão linguística influenciou minha decisão e por que considero essencial levar esse fator em conta ao planejar essa experiência.

Desde cedo, minha família valorizou a educação e me incentivou a estudar inglês. Concluí meus estudos no idioma em 1998 e acredito que consigo me comunicar com tranquilidade. Em 2014, ao ingressar no mestrado, cursei espanhol em um Curso Livre da UFPA, mas, no ano seguinte, interrompi os estudos para iniciar um novo desafio: aprender francês, que segui estudando até 2018.

Foi só em 2024, após uma viagem de fim de ano para Buenos Aires, que voltei a me dedicar ao espanhol com mais intensidade. Entrei em um hiperfoco no aprendizado do idioma, passei a ouvir muito rock argentino e comecei a considerar seriamente a possibilidade de um período sanduíche na Argentina. Levei essa ideia a sério: me matriculei em uma escola de idiomas para concluir os dois níveis que faltavam de espanhol, estudei intensamente, me tornei fã de Fito Páez e Gustavo Cerati (Soda Stereo) e incorporei o idioma ao meu cotidiano. Em novembro, fiz uma prova de proficiência em espanhol e agora aguardo o resultado.

No entanto, o cenário mudou. As recentes transformações políticas na Argentina impactaram as universidades, elevaram o custo de vida e dificultaram o acesso a programas acadêmicos. Diante disso, precisei redirecionar meus esforços e buscar uma nova opção dentro do mundo hispano-hablante. Por sugestão da minha orientadora, cogitei a Colômbia, mas, no fim das contas, minha escolha se consolidou: Me voy a estudiar en Barcelona.

A Universitat Autònoma de Barcelona (UAB) é uma das universidades mais prestigiadas da Espanha e da Europa, destacando-se pela excelência acadêmica, pela pesquisa de ponta e pela forte internacionalização. Fundada em 1968, a UAB está localizada em Cerdanyola del Vallès, a aproximadamente 20 km de Barcelona, com acesso facilitado pela linha de trem, que permite chegar ao centro da capital catalã em cerca de 40 minutos. A instituição se destaca em diversas áreas do conhecimento, incluindo ciências sociais, humanidades e comunicação, além de manter parcerias com universidades e centros de pesquisa ao redor do mundo. Seu compromisso com a inovação e a interdisciplinaridade faz da UAB um ambiente acadêmico dinâmico, ideal para o desenvolvimento de pesquisas de alto impacto.

O idioma no edital do PDSE

A questão do idioma é um dos requisitos fundamentais para a candidatura ao Programa Institucional de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE). Segundo o Edital nº 26/2024, os candidatos devem comprovar nível mínimo de proficiência na língua do país de destino, sendo exigido, no mínimo, um nível B2 no Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas (CEFR). Esse requisito garante que o bolsista tenha condições de acompanhar as atividades acadêmicas e interagir no ambiente universitário no exterior​.

A comprovação de proficiência pode ser feita de duas formas:

Por meio de testes oficiais de proficiência, como DELE (espanhol), SIELE (espanhol), TOEFL (inglês), IELTS (inglês), DELF/DALF (francês), TestDaF (alemão), CILS (italiano), entre outros, conforme detalhado no Anexo IV do edital.

Ou

Por meio de declarações assinadas pelo coorientador no exterior e pelo orientador no Brasil, reconhecendo que o candidato possui fluência suficiente para conduzir suas atividades acadêmicas.

No caso do espanhol, idioma do meu destino, os testes aceitos são:

  • DELE (Diplomas de Español como Lengua Extranjera) – mínimo B2, sem prazo de validade.
  • SIELE (Servicio Internacional de Evaluación de la Lengua Española) – mínimo B2, com validade de cinco anos. O candidato deve atingir B2 em todas as bandas do exame​.

Embora o catalão seja amplamente falado na Catalunha e seja uma das línguas oficiais da Universitat Autònoma de Barcelona (UAB), o PDSE não exige comprovação de proficiência nesse idioma para bolsas destinadas à instituição. A única exigência é a fluência em espanhol, seguindo os critérios definidos para países hispanófonos​.

No entanto, por ser a língua oficial da Catalunha, o catalão está presente no dia a dia da universidade e pode ser um diferencial para a integração cultural e acadêmica. Muitas disciplinas, documentos administrativos e eventos são conduzidos no idioma. Por isso, embora não seja um requisito formal para a bolsa, aprender ao menos o básico do catalão pode facilitar a adaptação ao ambiente acadêmico e social.

O vídeo abaixo – todo em catalão – apresenta um pouco da estrutura e do ambiente universitário da UAB, mostrando o que torna essa instituição uma referência no ensino e na pesquisa. 🎥👇

Por esta razão, quem me acompanha no Duolingo já percebeu que estou empenhado em evoluir nesse idioma. Além disso, incluí no meu plano de pesquisa no exterior a participação em aulas de catalão gratuitas oferecidas pela universidade – um tema sobre o qual falarei mais em outra publicação.

Além disso, o edital prevê algumas exceções:

✅ Candidatos que tenham residido por mais de 12 meses no país de destino e concluído um curso acadêmico formal (ensino médio, técnico, graduação ou pós-graduação) nos últimos 10 anos podem ser dispensados do teste de proficiência.

✅ Estrangeiros cuja língua materna seja a mesma do país de destino também podem ser isentos, desde que apresentem um diploma acadêmico comprovando a fluência​.

Outro detalhe importante é o prazo de validade dos testes. O último dia de inscrição na CAPES para a bolsa será considerado o limite de aceitação da certificação de proficiência. Isso significa que o candidato precisa garantir que seu exame ainda seja válido até essa data​. No edital em que estou concorrendo, este prazo expira em 4 de março de 2025.

No meu caso, quando planejava realizar o doutorado sanduíche na Argentina, já havia me preparado para essa exigência e realizei o DELE B2, um exame reconhecido internacionalmente e aceito pela CAPES sem restrição de validade. Com a mudança para Barcelona, esse certificado continua válido, pois o espanhol é o idioma oficial de ensino na Universitat Autònoma de Barcelona (UAB).

A importância dos idiomas na experiência acadêmica internacional

A fluência no idioma do país de destino pode ser um fator decisivo na experiência do doutorado sanduíche, tanto no processo de candidatura quanto na vivência acadêmica. O PDSE exige comprovação de proficiência para garantir que os bolsistas tenham condições de aproveitar plenamente a experiência no exterior.

Além do idioma do país de destino, o inglês continua sendo uma ferramenta essencial para a vida acadêmica. Mesmo para bolsas em países lusófonos, como Portugal, o edital do PDSE exige comprovação de proficiência na língua inglesa. Isso demonstra a importância de se preparar para interagir em um ambiente acadêmico internacional, onde o inglês frequentemente é utilizado como idioma comum para pesquisas, publicações e eventos científicos.

Ao mesmo tempo, buscar conhecimento em outros idiomas amplia significativamente o leque de possibilidades para quem deseja estudar no exterior. Dominar mais de uma língua pode abrir portas para oportunidades acadêmicas em diferentes países, facilitar o contato com professores e pesquisadores estrangeiros e até contribuir para a construção de colaborações internacionais.

Espero que vocês estejam gostando dos conteúdos e que essas informações estejam sendo úteis para quem também pensa em fazer um doutorado sanduíche. Se tiverem dúvidas, sugestões ou quiserem compartilhar suas experiências, fiquem à vontade para comentar! Continuarei publicando mais sobre o processo seletivo do PDSE e toda essa jornada acadêmica. 🚀

Jornalista e doutorando em Comunicação (PPGCom/UFPA), com mestrado em Planejamento do Desenvolvimento (NAEA/UFPA). Servidor do MPPA desde 2008, atua na Assessoria de Comunicação Social. Pesquisa a interseção entre comunicação, sustentabilidade, direitos humanos e conflitos socioambientais, com enfoque crítico e decolonial.

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