No mais recente número da Revista Culturas Midiáticas, periódico acadêmico do PPGC/UFPB dedicado a pesquisas em comunicação, mediações culturais e práticas midiáticas contemporâneas, publiquei — em coautoria com minha colega de doutorado Laiza Mangas e minha orientadora Rosane Steinbrenner — o artigo “A escuta como prática do jornalismo alinhado ao Bem-Viver na/sobre Amazônia”.
O trabalho integra o dossiê temático “Alteridades e Práticas Comunicacionais: diferentes modos de pensar, representar, mediar e narrar o(s) outro(s)”, e parte de uma questão central: como o jornalismo pode — ou deixa de — escutar as vozes amazônidas diante da emergência climática?
O que investigamos
Comparando a cobertura da Folha de S. Paulo (imprensa comercial) e do Amazônia Real (mídia independente) sobre a seca histórica de 2024, analisamos de que maneira cada modelo jornalístico seleciona e hierarquiza vozes. A lente analítica foi o “saber escutar”, conceito da Comunicação para o Bem-Viver (Baspineiro, 2014).
Principais achados
- Na Folha de S. Paulo, predominaram fontes oficiais e especialistas, em textos curtos e alarmistas, com pouca ou nenhuma presença das vozes amazônidas.
- No Amazônia Real, observamos protagonismo de indígenas, ribeirinhos e pescadores, contextualização crítica das causas da seca e aproximação com os princípios do Bem-Viver.
Por que importa
Escutar, no jornalismo, é uma decisão ética e política. O artigo mostra que valorizar saberes ancestrais, deslocar o foco das instituições para os territórios e reconhecer sujeitos sociais como protagonistas é fundamental para construir narrativas comprometidas com a justiça socioambiental e com a descolonização das narrativas.
📖 O artigo completo está disponível no portal da Revista Culturas Midiáticas (PPGC/UFPB):

