Falta exatamente um mês para o início da minha temporada acadêmica na Universitat Autònoma de Barcelona (UAB). Planejar uma estadia de nove meses em outro país envolve muito mais do que organizar a documentação acadêmica. Uma das maiores preocupações é a moradia — e, no caso da UAB, isso significa lidar com a realidade de Cerdanyola del Vallès, município vizinho da capital catalã onde está localizado o campus principal. Dentro de Cerdanyola fica Bellaterra, uma pequena localidade praticamente moldada pela presença da universidade e que funciona como um bairro eminentemente estudantil.
Para quem é de Belém, Cerdanyola está para Barcelona assim como Ananindeua está para a capital do Pará: um município da região metropolitana, conectado por transporte público, mas muito dependente da cidade central. Bellaterra, por sua vez, poderia ser comparada a um bairro universitário, como se toda uma parte da cidade estivesse organizada em torno de um grande campus.
Muitos imaginam que morar em Cerdanyola ou Bellaterra seria mais barato do que em Barcelona, mas não é o que acontece. A oferta de moradias é restrita e a demanda estudantil é alta, o que pressiona os preços para cima. Em plataformas de aluguel como o Idealista, é comum encontrar apartamentos pequenos anunciados entre 880 e 1.250 euros mensais, valores equivalentes ou até superiores aos praticados em bairros centrais da capital. Isso mostra que viver no entorno da UAB não representa vantagem financeira: os aluguéis são altos e as despesas com transporte, alimentação e serviços básicos permanecem praticamente idênticas às de Barcelona.

Foi nesse contexto que descobri a Vila Universitária da UAB, um complexo residencial localizado dentro do campus de Bellaterra, ao lado do Parque Natural de Collserola. A Vila foi pensada para receber estudantes de diferentes partes do mundo e oferece algo difícil de achar no mercado imobiliário da região: apartamentos prontos para morar, serviços incluídos no aluguel e a vantagem de estar a poucos minutos das faculdades. O conjunto desses fatores garante não apenas comodidade, mas também um custo-benefício difícil de alcançar em Cerdanyola ou em Barcelona, onde os preços de aluguel e contas mensais são altos e imprevisíveis.
Como fiz a reserva

O processo de solicitação de alojamento na Vila Universitária para o curso 2025/2026 abriu em 1º de maio, com confirmações de vagas a partir de 2 de junho. As inscrições funcionam por ordem de chegada e estão vinculadas ao pagamento inicial de uma fiança, que garante a prioridade do pedido.
No dia 14 de maio, realizei minha solicitação. Preenchi o formulário online, selecionei o Estudio Superior Tipo Q individual e anexei a documentação necessária — entre eles, a carta de aceitação da UAB, um documento oficial assinado pelo professor orientador na universidade, que comprova o vínculo acadêmico durante o período de estudos. Esse documento é indispensável para validar a candidatura.
Na mesma data, efetuei os dois pagamentos exigidos: a taxa de fiança de 170 € e a primeira mensalidade do aluguel, no valor de 973 €, já com todas as despesas incluídas. Apenas após essa etapa a solicitação foi considerada concluída.

No dia 16 de junho, recebi a confirmação oficial da Vila Universitária, documento que atestava a reserva do apartamento entre 1º de outubro de 2025 a 30 de junho de 2026. Nele constavam informações importantes: o contrato tem início sempre no dia 1º ou 15 do mês e termina no dia 15 ou no último dia do mês, o que implica cobrança proporcional de meses completos ou meios meses.
O contrato será assinado digitalmente no dia do check-in e, antes de receber as chaves, será necessário efetuar ainda o pagamento da segunda fiança, no valor atualizado de uma mensalidade de 988 €. Esse montante funciona como garantia contratual e pode ser parcialmente devolvido ao final da estadia, caso todas as condições de uso e entrega do apartamento sejam cumpridas.
O apartamento

O estudio superior individual tem cerca de 40 m² e integra sala, quarto, cozinha equipada e banheiro. É entregue mobiliado e pronto para morar, com sofás, mesa de estudo, cama, armário, geladeira e micro-ondas. Também inclui roupas de cama, toalhas e utensílios de cozinha, o que reduz bastante o peso da bagagem e facilita a adaptação nos primeiros dias. Pude ter uma boa imersão de como é o quarto neste vídeo feita por uma estudante brasileira que se hospedou lá. A planta é esta aqui:

Entre os destaques do espaço estão:
- Ar-condicionado reversível, que funciona também como aquecedor.
- TV móvel, que pode ser virada tanto para o quarto quanto para a sala. Para ter acesso aos meus conteúdos preferidos do Brasil, vou levar meu Fire TV HD configurado com VPN, o que me permitirá assistir à programação brasileira e
acompanharsofrer com os jogos do Paysandu. - Wifi gratuito em todo o prédio.
- Serviço de limpeza semanal com troca de enxoval, já incluído no valor do aluguel.
Além disso, o aluguel do Estúdio Superior inclui o acesso ao SAF (Servicio de Actividad Física de la UAB), o centro esportivo da universidade. O espaço conta com academia de musculação e cardio, piscina coberta, quadras poliesportivas e uma série de atividades físicas e aulas coletivas. Há até a possibilidade de eu continuar meus treinos de tênis lá, já que o SAF dispõe de quadras específicas para a prática. Esse benefício é um diferencial importante, pois em Barcelona uma academia ou clube esportivo pode custar caro, enquanto aqui está integrado ao pacote, ampliando ainda mais o custo-benefício da Vila Universitária.
O Bloco Q, onde vou morar, tem nove andares com elevador, caixas de correio individuais e até uma máquina de lanches no térreo. A convivência segue normas simples, como respeitar o horário de silêncio entre 22h e 8h, que ajudam a manter o ambiente adequado para descanso e estudo.
Estrutura e localização
A Vila Universitária é quase uma pequena cidade dentro do campus. Este vídeo mostra um pouco das comodidades. O complexo dispõe de mini mercado, lavanderia, restaurante/cafeteria e lanchonete, serviços que dão suporte direto ao cotidiano dos moradores. Para facilitar a vida dos recém-chegados, a Oficina de la Vila, localizada em frente ao prédio da Vila 2, fornece mapas do campus e orientações práticas.
A poucos minutos dali está a estação Bellaterra do metrô (linha verde S2), que conecta rapidamente ao centro de Barcelona. Nos arredores imediatos, já fora da Vila, encontram-se padaria, farmácia, supermercado maior e caixa eletrônico, ampliando a rede de serviços disponíveis. Um detalhe importante: os apartamentos não têm filtro de água, então será preciso comprar garrafas ou galões nos mercados locais, todavia o tratamento de água na Espanha é bastante eficiente, permitindo o consumo de água limpa direto da torneira.
Quanto custa viver aqui

O valor mensal do estudio superior individual é de 988 euros, já incluindo todas as despesas básicas: água, luz, internet, além da limpeza semanal com troca de roupas de cama e banho. Embora o preço não seja baixo, o conjunto dos serviços oferecidos — mobiliário completo, acesso ao SAF (inclusive quadras de tênis), comodidade da localização e previsibilidade dos gastos — torna a Vila Universitária uma opção vantajosa quando comparada ao mercado imobiliário de Barcelona.
Estar na Vila Universitária da UAB significa, portanto, não apenas resolver a questão prática da moradia, mas também garantir um ponto de apoio sólido em meio às incertezas de uma experiência internacional. Ter um espaço estável, com custos previsíveis e infraestrutura pensada para estudantes me dá tranquilidade para concentrar a energia no que realmente importa: a pesquisa, as descobertas e a vivência acadêmica na Catalunha.
Daqui a 30 dias, o Bloco Q da Vila 2 deixará de ser apenas um endereço confirmado em documentos para se tornar parte do meu cotidiano. Um lar temporário — ou, como dizem os espanhóis, mi hogar — que marcará uma etapa fundamental do meu percurso acadêmico e pessoal.
O único lado negativo dessa escolha é que na Vila Universitária “no se admitem mascotas”. Isso significa que, por mais completo e acolhedor que seja o espaço, terei que viver essa experiência sem a companhia do Chewbacca, meu Shih Tzu, que ficará em Belém nesse período. Uma ausência que certamente vou sentir, mas que também faz parte dos sacrifícios e escolhas de quem se lança numa temporada de estudos no exterior.

One thought on “Vila Universitária da UAB: mi hogar en Barcelona”