Depois de alguns meses sem atualizações por aqui, retomo agora o registro do meu percurso no Programa de Doutorado-sanduíche no Exterior (PDSE) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Desde a última postagem, feita em 5 de maio, muita coisa aconteceu — e cada etapa vencida confirmou que o estágio doutoral no exterior deixou de ser apenas expectativa para se tornar realidade. Entre trâmites burocráticos, orientações da Capes e o início dos repasses financeiros, a jornada ganhou contornos concretos: no dia 1º de outubro estarei em Barcelona para nove meses de pesquisa na Faculdade de Ciências da Comunicação da Universitat Autònoma de Barcelona (UAB).
No dia 16 de maio, confirmei o aceite do benefício. Já em 17 de maio, iniciei contato direto com Wallace Pereira da Silva, técnico responsável pelo meu processo na Capes. Ele me enviou a carta de concessão, o termo de outorga e uma série de instruções práticas: contratação obrigatória de seguro-saúde, regras de pagamento, declaração de suspensão de bolsa no Brasil (não aplicável no meu caso, mas obrigatório para quem é bolsistas nos doutorados de origem) e orientações sobre a comprovação de chegada ao exterior. Para facilitar, ainda compartilhou um vídeo tutorial com o passo a passo das rotinas administrativas.
Em meio a esse processo, também cuidei de uma das partes mais importantes da preparação: a hospedagem. No dia 15 de maio de 2025, dei entrada na solicitação de moradia na Vila Universitária 2 da UAB, residência oficial para estudantes e pesquisadores no campus da universidade. Pouco mais de um mês depois, em 16 de junho de 2025, recebi a confirmação da vaga, garantindo assim meu espaço durante todo o período do estágio. A Vila oferece apartamentos equipados, fica dentro do Campus onde vou trabalhar e uma infraestrutura pensada para a vida universitária internacional.
A fase mais simbólica veio em 9 de julho, com a publicação do resultado final do Edital nº 26/2024. Ali, meu nome estava entre os selecionados, encerrando oficialmente a etapa de avaliação. Logo no dia seguinte, 10 de julho, contratei o seguro-saúde internacional, item indispensável para o período em que vou passar na Espanha.
Esse mesmo mês foi marcado por anúncios importantes. Em 11 de julho, a Capes divulgou que 2,4 mil candidatos foram selecionados para bolsas no exterior, destacando a relevância do PDSE para a internacionalização da ciência brasileira. No dia 14 de julho, o MEC repercutiu a notícia, ressaltando que o programa é parte da política nacional de incentivo à formação avançada e à inserção internacional dos pesquisadores brasileiros.
Do outro lado, a Agência Brasil trouxe uma reportagem que chamou bastante atenção: segundo a presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho, ao menos 96 pesquisadores brasileiros desistiram de realizar doutorado-sanduíche nos Estados Unidos. A principal razão não foi burocrática, como muitos poderiam imaginar, mas política: cortes de verbas e ataques às universidades promovidos pelo governo de Donald Trump geraram um clima de insegurança para pesquisadores e instituições. Denise explicou que, em várias áreas, projetos foram suspensos e pesquisadores concluíram que, naquele momento, era mais seguro mudar de destino ou adiar a viagem. Ela destacou que as desistências ocorreram antes mesmo da solicitação de vistos, e aconselhou estudantes a sempre terem um “plano B”.
A reportagem também mostrou outro dado relevante: em 2024, haviam sido concedidas 880 bolsas para os EUA, mas em 2025 o número caiu drasticamente, ficando em apenas 350 bolsas previstas. Apesar da redução, Denise enfatizou que não há portas fechadas: a recomendação é ampliar parcerias com países da União Europeia e outras regiões, diminuindo a dependência de um único polo científico.
No dia 21 de maio, recebi o cartão BB Américas, que será utilizado futuramente para o crédito das mensalidades em moeda estrangeira. No entanto, a primeira remessa de pagamentos não é feita por esse canal: os depósitos iniciais chegam em reais, diretamente na conta do banco nacional previamente cadastrado.

Dois meses depois, em 21 de julho, a Capes liberou a primeira parcela de pagamentos, correspondente a duas mensalidades adiantadas, além dos auxílios de deslocamento, instalação e seguro-saúde. Esse repasse, também feito em reais na minha agência do Banco do Brasil, trouxe a tranquilidade financeira necessária para avançar com os preparativos da viagem.
No dia 18 de julho de 2025, estive na Embaixada da Espanha em Brasília para entregar toda a documentação exigida. Poucos dias depois, precisei complementar o processo com o envio de um comprovante de isenção de mensalidades da UAB, documento solicitado para finalizar a análise. Finalmente, em 11 de agosto de 2025, retirei em Belém, no Consulado Honorário da Espanha, meu passaporte já com o visto de estudante aprovado.

No dia 13 de agosto de 2025, participei de uma reunião de orientação promovida pela PROINTER – Pró-Reitoria de Relações Internacionais da Universidade Federal do Pará, voltada aos bolsistas do PDSE. O encontro tratou não apenas de questões práticas relacionadas à mobilidade internacional, mas também abriu horizontes importantes: incentivou o estabelecimento de um acordo geral entre UFPA e a UAB e até mesmo de um acordo específico de cotutela, que abre a possibilidade de uma dupla titulação de doutorado.
Agora, com todos os trâmites cumpridos, o próximo passo é a viagem. No dia 13 de setembro, parto de Belém com destino a Lisboa, onde permanecerei até o final do mês. De lá, no dia 30 de setembro, sigo para Barcelona, onde darei início ao estágio doutoral na Universitat Autònoma de Barcelona (UAB), que acontecerá entre outubro de 2025 e junho de 2026.
Mais do que um registro pessoal, esse relato é também uma forma de compartilhar aprendizados com colegas que atravessam o mesmo processo, mostrando que cada conquista depende tanto de organização e resiliência quanto de estar atento ao contexto em que a ciência se movimenta. Este post buscou oferecer uma visão geral das últimas etapas do processo seletivo até aqui. Nas próximas, vou detalhar cada uma dessas etapas com mais calma, compartilhando impressões, dicas práticas e aprendizados que podem ajudar outros pesquisadores que também se preparam para viver a experiência do PDSE.
