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Desastres e Crimes da Mineração no Brasil: minhas contribuições no dossiê do GETTAM/NAEA

Os desastres ambientais provocados pela mineração no Brasil evidenciam não apenas falhas estruturais, mas um modelo econômico que prioriza o lucro em detrimento das populações atingidas e da preservação ambiental. Com o objetivo de aprofundar essa discussão, o Grupo de Pesquisa Estado, Território, Trabalho e Mercados Globalizados (GETTAM/NAEA/UFPA) elaborou o Dossiê “Desastres e Crimes da Mineração em Barcarena, Mariana e Brumadinho”, publicado em 2020.

Este painel de especialistas, coordenado por minha orientadora de mestrado e coorientadora de doutorado, Edna Castro, reúne análises sobre os impactos da mineração em diferentes regiões do Brasil, abordando tanto as dimensões socioambientais quanto os conflitos políticos e midiáticos que emergem dessas tragédias.

O dossiê foca em três territórios emblemáticos:
Barcarena (PA) – Impactado pelos recorrentes vazamentos de rejeitos da Hydro-Alunorte, afetando comunidades ribeirinhas e quilombolas.
Mariana (MG) – Onde o rompimento da barragem de Fundão, em 2015, causou um dos maiores desastres ambientais da história do Brasil.
Brumadinho (MG) – Sede do desastre de 2019, que deixou 272 mortos e graves impactos ambientais.

O material examina as estratégias das mineradoras, os retrocessos na regulação ambiental e a impunidade empresarial, além de destacar as resistências comunitárias nesses territórios.

📚 Minhas Contribuições no Dossiê

Tive a oportunidade de contribuir para esse dossiê com dois artigos que analisam o papel da mídia na cobertura dos desastres socioambientais em Barcarena, em parceria com minha orientadora de doutorado no PPGCOM/UFPA, Rosane Albino Steinbrenner, e com Guilherme Guerreiro Neto, meu colega em grupos de pesquisa.

📄 Mídia e Desastre Socioambiental I: Análise da Cobertura Midiática do Vazamento da Hydro-Alunorte em Barcarena
🔹 Autores: Rosane Albino Steinbrenner, Pedro Loureiro de Bragança, Guilherme Guerreiro Neto
🔹 Resumo: Investigamos como a mídia abordou o vazamento tóxico da Hydro-Alunorte, evidenciando a predominância de narrativas empresariais e a marginalização das vozes das comunidades atingidas.

📄 Mídia e Desastre Socioambiental II: A Escassa Presença de Comunidades e Movimentos Sociais na Cobertura do Desastre da Hydro-Alunorte em Barcarena
🔹 Autores: Guilherme Guerreiro Neto, Rosane Albino Steinbrenner, Pedro Loureiro de Bragança
🔹 Resumo: Neste artigo, aprofundamos a análise da cobertura midiática, mostrando como as comunidades atingidas e os movimentos sociais foram sistematicamente silenciados.

🌍 Por que essa pesquisa é relevante?

Os desastres da mineração não são eventos isolados, mas sintomas de um modelo de desenvolvimento que prioriza a extração de recursos sem considerar seus impactos sociais e ambientais. Além disso, a maneira como a mídia cobre esses eventos tem implicações diretas na formulação de políticas públicas e na busca por justiça socioambiental.

📖 O Dossiê “Desastres e Crimes da Mineração” está disponível no site do NAEA/UFPA. Se você se interessa por debates sobre mineração, mídia e justiça ambiental, recomendo a leitura!

Jornalista e doutorando em Comunicação (PPGCom/UFPA), com mestrado em Planejamento do Desenvolvimento (NAEA/UFPA). Servidor do MPPA desde 2008, atua na Assessoria de Comunicação Social. Pesquisa a interseção entre comunicação, sustentabilidade, direitos humanos e conflitos socioambientais, com enfoque crítico e decolonial.